sábado, 5 de abril de 2014

Nada

É tanto,
E nada.
Quase afogo...

Há fogo!
Água?
Nada...

Chamas,
Chamo:
- Guia-me?

A linha do horizonte se perdeu.

Busco, rumo, arrumo.
Mas a ordem afunda.

Ao fundo,
Ao rumo,
Nada!

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O sonho me respira

Tenho sono,
Minha alma quer sonhar
Com o que meus olhos anseiam.
Meu corpo passa
Em pensamentos.
Dos pés agitados
Aos olhos caídos
A angústia se inscreve -
Sai pelos dedos marcando o papel,
Pelos olhos manchando os livros
Até que os olhos pesem...

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Angústia

Eu precisava estar sozinha para me encontrar em mim
Agora que eu me tenho sinto angústia

("Angústia pode ser não ter esperança na esperança. Ou conformar-se sem se resignar. Ou não se confessar nem a si próprio. Ou não ser o que realmente se é, e nunca se é. Angústia pode ser o desamparo de estar vivo. Pode ser também não ter coragem de ter angústia - e a fuga é outra angústia. Mas angústia faz parte: o que é vivo, por ser vivo, se contrai" - Lispector)

Quero me dividir com alguém
Ser outro, reflexo - estar presa na moldura
Me contornar, me limitar, me enquadrar, me basta?
A liberdade é minha sina:
Um pássaro capturável,
Um ninho vazio.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Já voltei. Já fui. Já fiquei.
Já andei. Já caí. Já chorei.
Já amei. Já feri. Já perdoei.
Hoje estou no meio,
Sei chegar e partir sem me perder,
Amo sem bater e sem sangrar.
Minha visão está além de mim e do outro,
Conjugada no verbo que permanece sem exitar,
Que foca em si sem perder a vista - míope, porém profunda.


Um dia eu acordo de um sonho turbulento e meus sentimentos se revolvem em mim, a confusão aparece então, sorrateira, pela porta entreaberta. Ela quer entrar, mas eu não convido (ou tento não convidar), ignoro, na tentativa de que ela vá embora. Rogo a Deus pra que fortifique meus pilares, que não me deixe cair de mim. O caos passa ao largo, quase entra, se me distraio. Brevemente lhe lanço um olhar, percebo qe ele não é tão monstruoso assim. Ensaio um sorriso. Aos poucos ele vai se diluindo ao som do meu riso e quando percebo ele se foi. Ufa! Respiro aliviada. E assim os dias passam...
Não é que os pesadelos desapareçam, mas meu olhar para eles está em processo de mudança. Não digo muito menos que seja fácil, nem simples. Mas aos poucos vou me tornando afinada nesse instrumento de encarar a vida com mais sorrir, mais serenidade, mais espiritualidade...


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A dolorida dor da madrugada chegou,
A doida consciência veio com ela,
Nem bandaide trouxe para tratar das feridas,
Nem uma poção mágica sequer.
Quanto mais eu mando ela embora,
Mais quer ficar,
Mais faz a cama,
Sem deixar eu dormir.
E quando durmo,
Sonha comigo,
Colorindo meus sonhos de sangue,
Acordando meus olhos de desejo,
Imprimindo em meus lençóis a verdadeira face do desconhecido,
Daquele estrangeiro que habita embaixo de meu travesseiro,
Que sussurra ao meu ouvido o que não quero escutar.

Tanto desejei, que sou.
O desejo se afirmou, assim sendo
E agora não mais desejo.

Como faço para ir embora,
Se sou o agora?