Ando com as calças folgadas,
as mãos folgadas,
a vida folgada..
Falta-me o cúmplice das horas apertadas,
o aconchego das mãos vazias,
o cortejo que me faça sambar numa avenida,
o ritmo de carimbó que embale meu vestido,
os pés ao lado dos meus a construir caminhos..
Ando versos perdidos na folgadura da vida,
número sem par,
água sem corrente acorrentada na maré da solidão,
peça espalhada pelo chão
sem encaixe,
caixa sem som.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Quero ser amada como uma prostituta.
Quero ser amada como uma prostituta.
Não quero as juras ilusórias de um amor puro,
Quero o amor dos corpos,
A sinceridade dos amantes efêmeros.
Não quero as juras ilusórias de um amor puro,
Quero o amor dos corpos,
A sinceridade dos amantes efêmeros.
Não quero a vida de princesas ou deusas,
Que moram em castelos de areia
Aonde o mar não chega.
Preciso sentir o sal das ondas presentes,
Vivas e avassaladoras em tempestade.
Beijar as bocas de palavras cuspidas
E envenenadas de amor sujo.
E, ao final, vomitar desejos
Carregados de pérolas libidinosas
Carregados de pérolas libidinosas
- porque é a concha que guarda os maiores amores.
domingo, 10 de fevereiro de 2008
O mundo escaldante queima-me a pele da alma.
Sorrio e pergunto:
- Que nojo é esse que se me apodera do estômago?
O asco corre minhas entranhas, mergulhadas em poços de esgotos mal cheirosos.
Sinto enjoo de mim,
do mundo,
do ser humano.
Quero vomitar as palavras que traduzem meu pensar,
mas o golfo estanca no estômago
e as larvas sobem minha boca
à procura de versos,
de ar.
Meus lábios escorrem veneno de bile aprisionada,
os dentes se agitam,
mordem minha bochecha
e escorro sal.
O mar sai de dentro de mim
com suas estrelas
e seus mistérios.
O cheiro estonteante da maresia
goza meus sentidos
e todo sulco envenenado
escorre as avenidas.
Na esquina próxima tudo deságua:
eu,
o mundo
e o ser humano.
Sorrio e pergunto:
- Que nojo é esse que se me apodera do estômago?
O asco corre minhas entranhas, mergulhadas em poços de esgotos mal cheirosos.
Sinto enjoo de mim,
do mundo,
do ser humano.
Quero vomitar as palavras que traduzem meu pensar,
mas o golfo estanca no estômago
e as larvas sobem minha boca
à procura de versos,
de ar.
Meus lábios escorrem veneno de bile aprisionada,
os dentes se agitam,
mordem minha bochecha
e escorro sal.
O mar sai de dentro de mim
com suas estrelas
e seus mistérios.
O cheiro estonteante da maresia
goza meus sentidos
e todo sulco envenenado
escorre as avenidas.
Na esquina próxima tudo deságua:
eu,
o mundo
e o ser humano.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Fotografia de nós.

Em trupe espergimos olhares curiosos,
guia-nos a vontade de ver - além
da superfície de corpos e paisagens.
Aventuramo-nos sob o pretexto
da descoberta de um mundo - outro,
refletido pelo olhar das lentes - de nós mesmos.
A luz que escreve sobre o anteparo
projeta sombras do mundo - nosso.
E só porque somos fotografia de nós
é que fotografamos o outro.
guia-nos a vontade de ver - além
da superfície de corpos e paisagens.
Aventuramo-nos sob o pretexto
da descoberta de um mundo - outro,
refletido pelo olhar das lentes - de nós mesmos.
A luz que escreve sobre o anteparo
projeta sombras do mundo - nosso.
E só porque somos fotografia de nós
é que fotografamos o outro.
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Entro
Esqueço
Desapareço.
Tropeço em galhos secos,
raízes estéreis seguram meu andar.
Cresço para além das copas das árvores,
chego ao céu e
escureço.
Fora de mim sou nada,
empobreço.
Onde andam as palavras que busco fora de mim?
Embruteço.
Choro.
As raízes estancam meu sonhar,
sou toda seca,
oca,
só.
As folhas amarelas tardam a nascer.
Esqueço
Desapareço.
Tropeço em galhos secos,
raízes estéreis seguram meu andar.
Cresço para além das copas das árvores,
chego ao céu e
escureço.
Fora de mim sou nada,
empobreço.
Onde andam as palavras que busco fora de mim?
Embruteço.
Choro.
As raízes estancam meu sonhar,
sou toda seca,
oca,
só.
As folhas amarelas tardam a nascer.
a Fotografia.
Os olhos que capturam a luz
traduzem o íntimo
da natureza de ventos
e seres..
Os pássaros cantam
a sua ópera de cores
sob o olhar perdido
de quem ama..
Fecunda luz aureolar
que transborda pincéis deslizantes
suspensos
confusos
entre a retina e o mundo
perdidos sobre a tela vazia,
ungidos de cor
e vivos pela luz
que liberta e aprisiona
a Fotografia.
traduzem o íntimo
da natureza de ventos
e seres..
Os pássaros cantam
a sua ópera de cores
sob o olhar perdido
de quem ama..
Fecunda luz aureolar
que transborda pincéis deslizantes
suspensos
confusos
entre a retina e o mundo
perdidos sobre a tela vazia,
ungidos de cor
e vivos pela luz
que liberta e aprisiona
a Fotografia.
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Pensar em gota
A chuva que cai recrudesce meu pensar.
Penso na gota que encontra o chão a cada fração de segundo.
E em como poderia estar sentindo-as tocar minhas costas,
encharcar meus cabelos,
lavar minha alma..
Mas penso, e ao pensar, molho minha roupa, adoeço meu corpo.
Se eu tivesse um guarda-chuva, talvez me arriscaria a sair daqui.
O guarda-chuva é o pensar, a chuva o sentir.
Quem chove? A natureza ou o homem?
A natureza chove, o homem chora.
E a água? Que é a água?
É apenas o elo entre chuva e choro.
As nuvens chovem, os olhos choram.
O homem chora porque sente.
Pensa em chorar?
Não, lágrimas são desprovidas de pensamentos.
A natureza não pensa em chorar, chove apenas, sem pensar.
O homem pensa enquanto chora.
Pensa? Sente?
De qualquer forma pensa, porque enxuga as lágrimas, esconde-as.
A chuva não se esconde, ela alaga, inunda, nutre, destrói.
O choro vem de dentro.
A chuva? De fora.
A chuva lava as janelas do mundo.
O choro, as janelas da alma.
E o mundo não tem alma?
A alma do mundo é os homens.
A alma do homem, não sei.
Não sei porque sei não saber.
Sei porque penso, penso não saber.
A chuva pára, pára porque não tem mais água pra chover e não porque pensa.
O homem pára de chorar porque pensa.
As gotas que ainda caem são de acúmulos de água nas árvores, nos telhados,
são restos de chuva que pingam.
São restos porque não pensam.
O homem não é resto porque pensa,
enxuga a lágrima porque pensa,
guarda os pingos em excesso porque pensa.
A chuva acabou porque não pensa,
vou embora porque penso..
Penso na gota que encontra o chão a cada fração de segundo.
E em como poderia estar sentindo-as tocar minhas costas,
encharcar meus cabelos,
lavar minha alma..
Mas penso, e ao pensar, molho minha roupa, adoeço meu corpo.
Se eu tivesse um guarda-chuva, talvez me arriscaria a sair daqui.
O guarda-chuva é o pensar, a chuva o sentir.
Quem chove? A natureza ou o homem?
A natureza chove, o homem chora.
E a água? Que é a água?
É apenas o elo entre chuva e choro.
As nuvens chovem, os olhos choram.
O homem chora porque sente.
Pensa em chorar?
Não, lágrimas são desprovidas de pensamentos.
A natureza não pensa em chorar, chove apenas, sem pensar.
O homem pensa enquanto chora.
Pensa? Sente?
De qualquer forma pensa, porque enxuga as lágrimas, esconde-as.
A chuva não se esconde, ela alaga, inunda, nutre, destrói.
O choro vem de dentro.
A chuva? De fora.
A chuva lava as janelas do mundo.
O choro, as janelas da alma.
E o mundo não tem alma?
A alma do mundo é os homens.
A alma do homem, não sei.
Não sei porque sei não saber.
Sei porque penso, penso não saber.
A chuva pára, pára porque não tem mais água pra chover e não porque pensa.
O homem pára de chorar porque pensa.
As gotas que ainda caem são de acúmulos de água nas árvores, nos telhados,
são restos de chuva que pingam.
São restos porque não pensam.
O homem não é resto porque pensa,
enxuga a lágrima porque pensa,
guarda os pingos em excesso porque pensa.
A chuva acabou porque não pensa,
vou embora porque penso..
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