quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Já voltei. Já fui. Já fiquei.
Já andei. Já caí. Já chorei.
Já amei. Já feri. Já perdoei.
Hoje estou no meio,
Sei chegar e partir sem me perder,
Amo sem bater e sem sangrar.
Minha visão está além de mim e do outro,
Conjugada no verbo que permanece sem exitar,
Que foca em si sem perder a vista - míope, porém profunda.


Um dia eu acordo de um sonho turbulento e meus sentimentos se revolvem em mim, a confusão aparece então, sorrateira, pela porta entreaberta. Ela quer entrar, mas eu não convido (ou tento não convidar), ignoro, na tentativa de que ela vá embora. Rogo a Deus pra que fortifique meus pilares, que não me deixe cair de mim. O caos passa ao largo, quase entra, se me distraio. Brevemente lhe lanço um olhar, percebo qe ele não é tão monstruoso assim. Ensaio um sorriso. Aos poucos ele vai se diluindo ao som do meu riso e quando percebo ele se foi. Ufa! Respiro aliviada. E assim os dias passam...
Não é que os pesadelos desapareçam, mas meu olhar para eles está em processo de mudança. Não digo muito menos que seja fácil, nem simples. Mas aos poucos vou me tornando afinada nesse instrumento de encarar a vida com mais sorrir, mais serenidade, mais espiritualidade...


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A dolorida dor da madrugada chegou,
A doida consciência veio com ela,
Nem bandaide trouxe para tratar das feridas,
Nem uma poção mágica sequer.
Quanto mais eu mando ela embora,
Mais quer ficar,
Mais faz a cama,
Sem deixar eu dormir.
E quando durmo,
Sonha comigo,
Colorindo meus sonhos de sangue,
Acordando meus olhos de desejo,
Imprimindo em meus lençóis a verdadeira face do desconhecido,
Daquele estrangeiro que habita embaixo de meu travesseiro,
Que sussurra ao meu ouvido o que não quero escutar.

Tanto desejei, que sou.
O desejo se afirmou, assim sendo
E agora não mais desejo.

Como faço para ir embora,
Se sou o agora?


A insuficiência mostra a falta
e o suficiente mostra a falta que a falta faz,
O complemento sempre tem um quê de vazio,
Tentar preenchê-lo é matá-lo, como se mata o silêncio com barulho.
O silêncio não é ausência, é o som que se propaga quando estamos sozinhos.
Estar consigo é ouvir -


domingo, 29 de setembro de 2013

"Sência"

Esqueci como escrever-me
Não sei que palavras usar-me
O conhecimento escapou-me

Se me acho assim perdida
É porque uma parte de mim morreu
E não sei o que em mim vive

Apesar disso,
Penso em mim bastante
Mas é como se não coubesse
Nas palavras o tanto

Tateio-me,
O corpo permanece,
Os olhos continuam,
A boca se reprime.

Se o pensamento coubesse nos dedos,
O corpo calaria,
Adoentaria-se como um cientista,
Que se cansa ao buscar as palavras na consciência
Ao invés de escavá-las com os pés,
Como os poetas.

Procuro-me na ciência,
Mas a minha verdadeira essência é poesia.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Ensaio

Sei da escrita de mim
sai escrita de mim.

O que sei escrever, não digo
O que sai, não falo

Escrevo, então, o que?
En-saio