domingo, 10 de fevereiro de 2008

O mundo escaldante queima-me a pele da alma.
Sorrio e pergunto:
- Que nojo é esse que se me apodera do estômago?

O asco corre minhas entranhas, mergulhadas em poços de esgotos mal cheirosos.
Sinto enjoo de mim,
do mundo,
do ser humano.

Quero vomitar as palavras que traduzem meu pensar,
mas o golfo estanca no estômago
e as larvas sobem minha boca
à procura de versos,
de ar.

Meus lábios escorrem veneno de bile aprisionada,
os dentes se agitam,
mordem minha bochecha
e escorro sal.

O mar sai de dentro de mim
com suas estrelas
e seus mistérios.

O cheiro estonteante da maresia
goza meus sentidos
e todo sulco envenenado
escorre as avenidas.

Na esquina próxima tudo deságua:
eu,
o mundo
e o ser humano.